terça-feira, 20 de março de 2012

cogumelo dourado e a raposinha morango (parte 3)

na cidade, nossa primeira parada foi o correio.
diferente das demais cartas de envelope branco que o papai costumava mandar esta era de papel verde e visivelmente menor.
tom a recebeu e pôs no bolso interno da jaqueta e partimos para uma taverna próxima.
entramos. Sentei-me junto a eles num balcão vazio. Bebi uma água, tom pediu cerveja e Jack fumou um grosso charuto.
todos ficamos calado por algum tempo até Jack começar a dizer coisas repugnantes sobre algumas senhoras sentadas numa mesa ao fundo.
dizia que eram "da noite" e que de nada valiam.
 “cale essas suas historias cretinas. Não quero ouvi-las tampouco quero que conheça algumas dessas senhoras.” ameaçou tomas puxando-me pelos braços me levando dali. Jack permaneceu no bar.



em casa, mamãe lavava louças e meus outros irmãos dividiam-se em alguns serviços braçais na casa ou no jardim ao redor.
Tomas entregou-lhe a correspondência verde e mamãe empalideceu. Guardou-a no bolso do avental para ler ao fim da tarefa. Calada, ela terminou de lavar e guardar as louças e trancou-se no quarto por algum tempo como sempre fazia ao receber as cartas de papai. Mas dessa vez foi diferente. Ela nos deixou levando consigo um olhar que só havíamos visto uma vez: na convocação do papai para o exercito.

a tarde estava linda. Ainda mais nublada que no dia anterior. Arriscava chover a qualquer momento e como toda criança, eu esperava por isso ansiosamente. Lembrei-me do filho do lenhador, peguei os pães embrulhados num pano,assim como deixei, no fundo da panela e parti.
Corri como vento até o bosque e logo na entrada ele estava me esperando com a raposinha morango deitada em seu colo. Era estranho como nunca tínhamos nos visto antes e de repente sempre que queríamos nos ver bastava ir correndo até o bosque. Ele comeu os pães com um sorriso radiante.
“seu pai cozinha bem” disse
“não, não foi ele quem fez. Eu os preparei com minha mãe” falei
“estão bons” sorriu novamente
“seu pai é quem cozinha na sua casa?” estranhei
“sim. Minha mãe não mora conosco” respondeu-me levantando. “vamos?” continuou.

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