terça-feira, 20 de março de 2012

o cogumelo dourdo e a raposinha morango (parte 2)


naquela noite, enquanto tentava dormir e lembrava-me da tarde que tive com o filho do lenhador, fui surpreendido com um saltador misterioso que invadiu meu quarto pela janela e aterrissou em minha cama. Levantei de súbito e fui para a janela, a aparte mais iluminada do quarto, a fim de descobrir que criatura pequena e peluda me acordava tão tarde da noite. La fora uma voz sussurrava por mim: 
"campeão, sou eu campeão. Minha raposinha entrou em teu quarto?”
“sim, acho que foi ela”
“venha cá fora. E traga-a contigo" disse o filho do lenhador.
Nessa hora o saltador pulou novamente, dessa vez para o parapeito da janela.
"raposinha morango, sua danada, que susto você me deu!" exclamei fugindo pela janela do quarto.
"venha, aposto que nunca viu a lua ás duas da manhã" afirmou ele guiando-me madrugada adentro.
A lua estava cheia e azul, seu brilho prateado refletia nas águas calmas do rio. Sentamos juntos num tronco caído e ali ficamos até amanhecer.

os primeiros raios de sol nasciam e ele, assim como eu, precisava correr pra casa.
"vou por a chaleira de meu pai no forno" gritou olhando pra trás enquanto corria.
Apressei-me também, pulei na cama, troquei de roupa e penteei o cabelo.
Quando fui pra cozinha minha mãe ainda sovava o pão.
"madrugou hoje meu filho. venha ajude-me com a farinha".
Quis contar a ela sobre minha noite, mas contive-me. Algumas coisas são mais gostosas em segredo.

quando os pães ficaram prontos, o cheiro tomou toda a casa e acordou aos meus irmãos.
Antes que todos viessem à mesa e os devorassem, guardei dois no fundo de uma panela velha para levar ao filho do lenhador mais tarde naquele dia.
o primeiro irmão a levantar foi tomas, de 20 anos. Beijou-me a cabeça e tomou a benção de mamãe. Sentou-se a mesa levando um dos pães aos lábios finos e vermelhos.
 “hoje é sábado. irei ate a cidade buscar os postais de papai. você virá comigo?" disse a mim ainda de boca cheias.
sorri espremendo bem os olhos como um sinal de confirmação.
 “quer que eu lhe compre algo mãe?" perguntei
 “espere um segundo. vou ver se ainda tenho pimenta." respondeu.
tomas e eu já íamos levantando quando Jack, de 18, entrou na cozinha.
bagunçou meu cabelo, socou tomas no braço e abraçou mamãe.
 “não, meninos. podem ir. Ainda a tenho”
Jack imediatamente ofereceu-se pra ir conosco. Engoliu rapidamente um gole de café puro e nos acompanhou.
montei com tom em um dos cavalos e Jack subiu em outro.
 “vamos apostar corrida?" propôs tomas, arrancando na frente durante a largada.



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