quinta-feira, 22 de março de 2012

o cogumelo dourado e a raposinha morango (parte 12)


me desconcentrei da mesa por alguns instantes. Merendei calado e calmamente, logo em seguida voltei para o quarto e me deitei. Jack me seguiu.
Entrou, fechou a porta, sentou na cama e me cobriu com um lençol dando um beijo em minha testa e me dizendo: "sei que você está mentindo. você estava com aquele garotinho, não estava? tome mais cuidado comigo. posso não gostar do que vou descobrir".

naquela noite me arrumei para ir à missa com minha família, como o de costume e rapidamente elaborei um pequeno modo de encontrar o filho do lenhador em sua casa.
Na igreja, assisti os 30 minutos inicias da pregação e quando fomos chamados para a escolinha dominical, tratei de me perder entre as outras crianças e sai da igreja sem ser notado, corri a até a casa do lenhador e com cautela espiei cada uma de suas janelas.

o quarto de seu filho era o ultimo, apoiei-me de cotovelos no parapeito e conversamos.
“como você esta?” perguntei baixinho.
“muito mal. Tenho dores e enjôos” respondeu-me
“você já viu o medico?” continuei
“sim, mas ele passou uns remédios caros e papai achou melhor não comprar. Ele disse que as dores se vão sozinhas” disse-me
“seu pai esta em casa?”
“não, ele já saiu. Só volta de manhã”
“posso entrar?”
 entrei e deitei-me com meu amigo em sua cama. Pus sua cabeça em meu peito,assim como mamãe fazia conosco quando adoecíamos, ele estava bem quente e suava muito.
“amanhã, se você quiser, te trago umas cartas de meu pai. Elas sempre me animam” falei sorrindo e garoto sim apenas balançando a cabeça.
O quarto cheirava a vômito e alguns panos de chão se espalhavam ao lado da cama.
Tirei tudo de lá e levei um copo d’água para o filho do lenhador e ele dormiu em meu colo.
Quando o sino da igreja bateu as dez, corri ao encontro de minha mãe e voltamos todos juntos para casa.

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