me desconcentrei da mesa por alguns
instantes. Merendei calado e calmamente, logo em seguida voltei para o quarto e
me deitei. Jack me seguiu.
Entrou, fechou a porta, sentou na cama e
me cobriu com um lençol dando um beijo em minha testa e me dizendo: "sei
que você está mentindo. você estava com aquele garotinho, não estava? tome mais
cuidado comigo. posso não gostar do que vou descobrir".
naquela noite me arrumei para ir à
missa com minha família, como o de costume e rapidamente elaborei um pequeno
modo de encontrar o filho do lenhador em sua casa.
Na igreja, assisti os 30 minutos inicias da pregação e
quando fomos chamados para a escolinha dominical, tratei de me perder entre as
outras crianças e sai da igreja sem ser notado, corri a até a casa do lenhador
e com cautela espiei cada uma de suas janelas.
o quarto de seu filho era o ultimo, apoiei-me de
cotovelos no parapeito e conversamos.
“como você esta?” perguntei baixinho.
“muito mal. Tenho dores e enjôos” respondeu-me
“você já viu o medico?” continuei
“sim, mas ele passou uns remédios caros e papai achou melhor
não comprar. Ele disse que as dores se vão sozinhas” disse-me
“seu pai esta em casa?”
“não, ele já saiu. Só volta de manhã”
“posso entrar?”
entrei e deitei-me com meu amigo em sua cama. Pus sua
cabeça em meu peito,assim como mamãe fazia conosco quando adoecíamos, ele
estava bem quente e suava muito.
“amanhã, se você quiser, te trago umas cartas de meu pai.
Elas sempre me animam” falei sorrindo e garoto sim apenas balançando a cabeça.
O quarto cheirava a vômito e alguns panos de chão se
espalhavam ao lado da cama.
Tirei tudo de lá e levei um copo d’água para o filho do
lenhador e ele dormiu em meu colo.
Quando o sino da igreja bateu as dez, corri ao encontro de
minha mãe e voltamos todos juntos para casa.
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