quarta-feira, 21 de março de 2012

cogumelo dourado e a raposinha morango (parte 5)


ao bater na porta de casa, mamãe veio nos receber com toalhas secas, roupas limpas e leite quentinho.
“onde conseguiu esse corte, meu bem?” perguntou-me enquanto mandava um dos meus irmãos ir buscar a cavalo o medico mais próximo.
“caí” respondi tímido.
Ela foi então até a cozinha e voltou trazendo uma lata azul redonda com biscoitos cobertos de açúcar.
Quando o medico chegou à família inteira encontrava-se na sala, todos os irmãos, mamãe e o filho do lenhador.


o medico e eu nos trancamos no quarto e ele começou a costurar minha pele. Lembro-me de sentir mais dores aquela hora que no santuário durante o corte. Ainda aquela cicatriz na panturrilha esquerda. Lembro-me daquela tarde e do filho do lenhador sempre que vejo essa marca.
Quando saímos do quarto, o filho do lenhador já tinha ido embora e a chuva havia cessado completamente.
Lembrei-me então da carta que papai nos enviara e pedi que mamãe fosse buscá-la para mim.
Mamãe voltou com a carta e leu para toda a família em voz alta. Nela dizia que a guerra se aproximava do fim. Que duraria mais algumas semanas. Papai havia se tornado um herói e por isso não deveria voltar pra casa, moraria no quartel general e teria se promovido. Ele disse que não poderia mais voltar pra casa e que ia sentir muita falta de todos, que nos amava e queria somente o nosso bem.
Fiquei triste por não poder mais ver o papai, mas ao mesmo tempo orgulhoso: meu pai virou um herói.


mamãe foi até a cozinha preparar a ceia e tomas a seguiu. Eles cochichavam e da sala era impossível ouvir, mas pareciam discutir sobre algo.
Tom saiu de casa batendo a porta. Estranhei o fato dele nunca sair de noite, principalmente sem dar satisfação, mas eu nada disse nem perguntei.

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