quinta-feira, 22 de março de 2012

o cogumelo dourado e a raposinha morango (parte 11)


o lenhador da cidade já estava de pé e parecia ter chegado a pouco do trabalho.
"onde você estava seu moleque?" gritou o homem com seu filho.
"ele dormiu em minha casa, senhor. estávamos brincando e perdemos a hora" tentei explicar. O homem puxou o garoto pelo braço para dentro de casa com agressividade surrando-o com força a face.
"pro quarto agora" disse o lenhador batendo com força a porta do pequeno chalé de madeira ignorando-me na varanda.

um silencio ensurdecedor tomou o lugar enquanto fiquei ali parado fitando a porta de entrada da casinha de madeira.
O caminho de volta para casa parecia infinito, a estrada de barro parecia cada vez mais estreita e o horizonte mais distante.
Nas arvores ao redor, alguns tocos e de arvores e pequenos troncos caídos criavam uma pequena trilha as margens de um grande matagal e pude sentir que alguém ali próximo me espiava cuidadosamente.

ao chegar a casa pulei novamente a janela de meu quarto e fui flagrado por Jack que abria minha porta.
Meu coração gelou como se uma forte tempestade de neve emanasse de minha cabeça em direção aos meus pés tomando todo o meu espírito.
"onde você estava?" perguntou meu irmão
"no pomar. fui ver o sol nascendo" menti
"porque pulou a janela? parece até que estava fugindo." prosseguiu
"não alcanço o ferrolho da porta da frente" falei
"mamãe ta chamando pra tomar café" avisou-me saindo


todos já estavam à mesa, exceto tomas.
"já faz três dias" disse mamãe pondo a mão no peito.
Beijei-a e cumprimentei meus irmãos. Sentei.
"dormiu mal, maninho? parece cansado" disse Jason, outro de meus irmãos.
"na verdade ele nem estava no quarto quando cheguei" polemizou Jack
"onde você estava meu amor?" perguntou mamãe
"fui ver o sol nascendo no pomar" reafirmei.
"sozinho?" provocou Jack
"sim" respondi indiferente.



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